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Primeiros passos para treinos de ciclismo com potência

Mas afinal, o que é um treino com potência?

Ouvi falar de potência pela primeira vez no início dos anos 2000, mas não via ninguém por aqui no Brasil usando medidores, era algo ainda distante e futurista. Já em 2009 um amigo e eventual companheiro de treino apareceu em um treino com cubo e painel para leitura de potência, foi a primeira vez que pedalei lado a lado de alguém que monitorava a medida e seguia essa métrica como norte de seus treinamentos. De lá para cá muito mudou e a tecnologia avançou e vem se tornando cada vez mais acessível, o que antes custava tanto quanto a própria bicicleta hoje pode ser adquirida por um valor até mais baixo que uma boa roda de competição.

Em 2014 estive no Colorado para estudar na Universidade do TraningPeaks, até esse momento ainda não usava a métrica em meu dia a dia, lá ouvi da lenda do treinamento de Endurance Mundial Joe Friel a seguinte analogia: “Quem nunca usou um medidor de potência é como um míope que nunca colocou um óculos na vida, ele simplesmente desconhece a dimensão de sua desvantagem”. Como bom míope, saí de lá e imediatamente comecei a pedalar com potência.

O que é a potência?

Potência, na Física, é entendida como a grandeza que determina a quantidade de energia produzida por uma fonte a cada unidade de tempo. Nada mais é que a taxa de energia que é utilizada para produzir um determinado trabalho, e é expressa em watts. O que medimos no ciclismo é a potência que você gera enquanto pedala.

Como pode ser medida a potência?

Hoje existem diferentes formas de medir a potência, seu medidor pode estar no cubo da roda, no pedivela, nos pedais ou mesmo em um dispositivo instalado na frente de sua bike. No Brasil, já é possível começar a brincar com essa charmosa métrica por menos de 2 mil reais. Você pode, até mesmo por meio de um sensor de cadência e velocidade, pedalar no rolo e receber de programas interativos uma estimativa (potência virtual) para guiar seus treinos indoor.

Por que medir Potência?

Um medidor de potência pode te ajudar a ganhar aptidão e melhorar sua performance, mas para isso você vai precisar aprender a treinar com o mesmo e a analisar os dados dos seus treinos, para então criar estratégias e ter a visão do que precisa ser melhorado. Com medidores de potência você vai poder comparar treinos em locais diversos, segmentos distintos podem ser comparados em watts e outras métricas de performance, e mesmo quando comparados os mesmos segmentos em diferentes pedaladas ou em diferentes momentos de uma mesma pedalada, o medidor de potência poderá lhe trazer informações mais profundas, como condição do vento, temperatura e outros fatores.

Em situações de vento contra ou mesmo em subidas, a velocidade é uma métrica que pode lhe levar a erro de decisão, já se você tem um medidor de potência você saberá exatamente no instante em que produz a força o quanto está produzindo e seu ego não será tão afetado pela velocidade. O medidor de potência oferece a possibilidade de ritmar seu treino ou prova de maneira muito mais precisa que qualquer outro dispositivo.

Como Começar a Pedalar com Medidor de Potência?

É importante saber calibrar o dispositivo adquirido, e refazer a calibragem sempre que perceber mudanças de padrão ou mesmo de acordo com as orientações do fabricante. No primeiro momento minha recomendação é não mudar nada em seu treino, apenas observe o comportamento dos watts durante e depois da pedalada por meio da análise do arquivo.

A potência instantânea é um número muito volátil e que apresenta grande variação, pula para todo o lado, por isso recomendo ir nas configurações de sua unidade de leitura e escolher a opção de 3 segundos, 5 segundos ou mesmo 10 segundos ou seja o número que você verá é uma média dos últimos segundos, isso vai te oferecer uma medida mais estável. Depois de rodar algum tempo é interessante estabelecer seu FTP (limiar funcional de potência), sua capacidade máxima de sustentar os watts por cerca de 1hora de atividade. Para isso, existem diferentes protocolos de avaliação.

Destaco aqui o princípio da especificidade na escolha deste método de teste, para os triatletas 20min na pegada suprema é uma boa opção. Encontre local plano ou com leve subida e sem interrupções, busque seu melhor por 20min, encontre um ritmo que seja capaz de tolerar sem muita flutuação por todo tempo do teste e procure terminar a atividade com a sensação de ter dado seu melhor, ao final multiplique a média dos watts do teste por .95, esse é seu FTP. É importante saber que o resultado final dividido por seu peso é o número que serve como base para classificação e comparação com outros atletas, portanto aumento do FTP associado ao aumento de peso não se reflete em melhora, pode até mesmo significar piora.

 

Por Marcos Hallack, Diretor técnico Saúde/Performance e Educador de Treinadores TrainingPeaks.

Via: MundoTri.com.br/